“Vamos continuar lutando”, afirma servidora em manifestação no Hugo

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Medo de demissão em massa, aumento da carga horária de trabalho e diminuição do salário estão entre as pautas que motivaram nova manifestação dos trabalhadores no hospital
Jessica Santos
do Mais Goiás
Luta. É esta a palavra usada pelos servidores do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) para definir a situação vivenciada desde que o Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS) iniciou fase de transição para assumir a administração da unidade. Medo de demissão em massa, aumento da carga horária de trabalho e diminuição do salário estão entre as pautas que motivaram nova manifestação dos trabalhadores no hospital, na manhã desta sexta-feira (13).

A insegurança dos funcionários começou no final de agosto, quando a fase de transição da gestão foi iniciada. Atualmente, a administração é de responsabilidade do Instituto Haver. No protesto, que conta com técnicos em enfermagem, enfermeiros, médicos, nutricionistas e farmacêuticos, os trabalhadores cobram mais transparência no processo de transição das Organizações Sociais (OSs), manutenção da jornada de trabalho de 30h semanais, garantia de direitos trabalhistas e segurança dos pacientes.

“Vivemos sob tensão constantemente. Temos certeza que iremos continuar trabalhando até dia 30 de setembro. A partir de outubro, quando a INTS assume a gestão, não sabemos nem se vamos poder ficar no hospital. Por isso vamos continuar lutando. Queremos o que é nosso por direito”, disse uma servidora do Hugo. O nome dela e de demais profissionais da unidade ouvidos pelo Mais Goiás foram preservados.

Segundo ela, além de cobrar transparência e direitos trabalhistas, a manifestação serve para alertar a população sobre as propostas feitas pela INTS, que, de acordo com a trabalhadora, vão sucatear o hospital. Dentre as críticas citadas está o regime de sobreaviso, o qual a nova OS quer implementar.

Tal regime consiste na permanência do trabalhador em casa, que aguarda ser chamado a qualquer momento caso tenha necessidade para o serviço. Um destes serviços, conforme expõe a servidora, é o de tomografia. Assim, os responsáveis pelo exame ficariam em casa e se deslocariam ao hospital quando algum paciente necessitasse do aparelho.

“O que estão propondo é um absurdo. O Hugo faz atendimento de alta complexidade 24h. Imagine um paciente ter que esperar o funcionário sair de casa para depois realizar o exame. É inviável. Além de cobrar nossos direitos trabalhistas, reivindicamos um atendimento de qualidade. A vida das pessoas está em risco. A população precisa acordar e tomar consciência do caos que o hospital pode virar”, alertou.

Segundo os manifestantes, o protesto não está prejudicando o funcionamento da unidade de saúde e o atendimento segue normal até o final do mês. “Garantimos até o final do mês porque é quando ainda estamos sob a responsabilidade do Instituto Haver. Não sabemos o que vai acontecer depois”, disse outro funcionário.

Em nota, o INTS disse que aguarda definição por parte da Secretaria quanto à transição e espera definição referente à liminar da Justiça sobre o chamamento. A OS informou que não irá se pronunciar sobre as manifestações dos funcionários e aguarda tramitação normal do processo “para dirimir o clima de alarmismo provocado, normalizar a transição e manter a continuidade dos serviços de saúde da população”.

Reuniões sem acordo
Diversas reuniões já foram realizadas entre a Secretaria de Estado da Saúde (SES), INTS, Haver, representantes dos servidores e Sindicato dos Trabalhadores da Saúde em Goiás (SindSaúde). Até agora não houve acordo e entendimento entre as partes e a insegurança e medo permanecem nos corredores do Hugo.

https://www.emaisgoias.com.br/vamos-continuar-lutando-afirma-servidora-em-manifestacao-no-hugo/

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