Governador de Goiás recua sobre medidas mais rígidas e reclama de falta de apoio: ‘Não vale a pena fazer um decreto por fazer’

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Caiado havia dito que implantaria regras mais duras contra o coronavírus, mas declinou. Ele criticou medida de governador do DF de não receber pacientes do Entorno: ‘Retaliação’.

Por Sílvio Túlio e Vanessa Martins, G1 GO

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), recuou, por enquanto, da implantação de medidas mais restritivas contra o coronavírus. Ele havia anunciado que baixaria um decreto com normas mais “rígidas”, mas nesta quinta-feira (14), ele reclamou que não teve apoio para realizar as mudanças, afirmou que segue aberto ao diálogo e que não adianta “fazer um decreto por fazer”.

“Estamos construindo uma alternativa (…) Um decreto tem que ter participação do governo, das entidades de classe, dos prefeitos, das autoridades e o sentimento da população. Não vale a pena fazer um decreto por fazer decreto”, afirmou em entrevista à TV Anhanguera.

Na última terça-feira (12), Caiado já havia informado que o novo decreto seria mais “rígido” e liberaria apenas o funcionamento de áreas consideradas essenciais. Na ocasião, ele adiantou também que haveria um “fechamento significativo das atividades econômicas”, como forma de tentar alcançar um número de isolamento da população próximo de 60%.

Agora, o governador mudou o tom. Não disse que não irá publicar um novo decreto. Mas alegou que o documento não pode ser “letra morta”. Mas afirmou que não editaria novas regras sem consultar todos os envolvidos. Nesse sentido, ele afirmou que o estado não pode arcar com todas as responsabilidades.

“Não é apenas sobre o estado de Goiás a responsabilidade. Se está desempregado, a culpa é do governo. Não tem leito de UTI e o paciente morreu, a culpa é do governo. Aí não dá. Todas as pessoas têm que ter uma responsabilidade de compartilhar isso”, criticou.

“O que tenho feito é conversar. O que adianta um decreto sem apoio dos prefeitos? […] O que vai resolver o governador sem que haja os prefeitos, as autoridades, lideranças políticas, lideranças empresariais envolvidos no processo?”, questionou.

Usando números, Caiado falou sobre a piora da situação de Goiás em relação ao coronavírus. Ele lembrou o primeiro decreto publicado em relação ao tema, em 12 de março, e disse que na época tinha apoio maciço da população, o que, segundo ele, não ocorre atualmente.

“Quando decretamos e publicamos o primeiro decreto, de 12 de março até atingirmos 100 casos, foi um período de 39 dias. Só ontem [terça-feira, 13], nós ultrapassamos 100 casos por dia. Tínhamos menos de um óbito por dia. Ontem nós tivemos nove casos. Hoje estamos colhendo exatamente aquilo que nós plantamos”, destacou.

Retaliação do DF
O governador também lamentou a decisão anunciada pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), de que vai proibir os hospitais públicos de seu território de aceitarem entrada de pacientes com Covid-19 vindos da região do Entorno, onde há vários municípios goianos.

Ele afirmou que recebeu a decisão com “preocupação e tristeza” e que chegou a ligar para Ibaneis, mas não foi atendido. Caiado afirmou ainda que os moradores do Entorno se contaminaram na capital federal, pediu “solidariedade” e classificou a atitude como uma “retaliação”.

“Tentei até falar com o Ibaneis, liguei duas vezes em todos os telefones que tenho e não fui atendido. [Recebo a notícia] primeiro lugar, com muita preocupação e tristeza. Porque o vírus foi trazido a Brasília? Porque os brasilienses ali tem um poder aquisitivo mais alto, as pessoas passaram férias na Europa, nos EUA, passou a ser um foco de contaminação. Os trabalhadores de Goiás que moram em Goiás são domésticos, de limpeza ou de outros órgãos do estado, que trabalham em Brasília e moram em Goiás. Essas pessoas se contaminaram em Brasília”, pontuou.

“De repente, a pessoa diz: ‘Olha, agora nós não recebemos ninguém’. O que estamos pedindo nesse momento são gestos de solidariedade. Se essa é a reciprocidade que estamos recebendo, nós vamos trabalhar. O que não pode nessa hora é criar um processo de retaliação. Nós estamos trabalhando com vidas”, reclamou.

O administrador questionou ainda as medidas tomadas por prefeitos de cidades do Entorno de flexibilizarem o isolamento, liberando, de acordo com ele, a abertura de estabelecimentos como bares e boates.

“Há quanto tempo eu estou alertando o Entorno? Qual foi a ação dos prefeitos? Boate aberta, shopping aberto, bares abertos, shows abertos. Se cada um não se envolver, não se pode responsabilizar apenas a figura do governador”

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